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  • Lula e Haddad vão engolir o sapo Márcio França em 2026?

    Lula e Haddad vão engolir o sapo Márcio França em 2026?

    Será que Lula e Haddad pressionados pelo PSB vão tentar engolir esse sapão gordo ou vão expelir o sapo Márcio França da eleição de 2026

    Por

    Alberto Luchetti

    Márcio França parece determinado a transformar a política paulista em um ciclorepetitivo de candidaturas frustradas. Caminha para a quarta tentativa consecutiva após três derrotas seguidas, insistindo em se apresentar como protagonista mesmo quando os resultados das urnas indicam o contrário.

    Ainda assim, comporta-se como dono do Partido Socialista Brasileiro (PSB) em São Paulo — partido que presidiu e que hoje mantém sob influência direta ao transferir o comando ao próprio filho, Caio França — e tenta, mais uma vez, impor sua candidatura ao Senado na chapa de Lula e Haddad em 2026. Márcio França é o “sapo de 2026”, que será engolido ou expelido.

    Nos bastidores, a pressão é evidente. Com Simone Tebet já posicionada para uma das vagas ao Senado e resistindo a outras composições, o PSB articula para garantir a segunda cadeira para Márcio França, mesmo diante de seu fraco desempenho em 2022, quando perdeu em todo o estado para o então pouco conhecido astronauta e político Marcos Pontes.

    O grande problema da família França é que essa insistência não vem acompanhada de capital político renovado, mas sim de um histórico recente de derrotas e reposicionamentos oportunistas. Essa chapa “pura” do PSB ao Senado Federal enfrenta resistência contundente de outros partidos coligados ao PT.

    França construiu a imagem de um político sem eixo claro: ora acena à esquerda, ora busca espaço à direita, sempre conforme a conveniência eleitoral. Essa flexibilidade excessiva, longe de ampliar seu alcance, consolidou a percepção de incoerência.

    Os apelidos acumulados ao longo das campanhas traduzem bem esse desgaste. De “Márcio Cubas”, em 2018 — quando foi derrotado na disputa pelo governo estadual por João Doria — a “BolsoFrança”, em 2020, após acenos ao bolsonarismo e derrota na eleição para a Prefeitura de São Paulo.

    Márcio França tentou de tudo. Passou até pela autodefinição dizendo ser “a direita da esquerda”. Sua trajetória recente é marcada por tentativas de adaptação que soam mais como oportunismo do que estratégia — o que lhe rendeu também a alcunha de “Socialista Oportunista”.

    Em 2022, ao abandonar a disputa pelo governo para concorrer ao Senado, sofreu mais uma derrota, reforçando a imagem de instabilidade política — e passou a ser chamado de “Biruta de Aeroporto”, que gira conforme o vento, mas não se fixa em lugar algum.

    Além disso, pesam sobre sua trajetória questionamentos sobre compromissos financeiros de campanha e relações políticas pouco transparentes, frequentemente citados por adversários e pela imprensa.

    Ainda que essas questões estejam no campo das disputas políticas e judiciais, contribuem para desgastar sua credibilidade e dificultar alianças. Internamente, há sinais claros de resistência: setores do próprio PT e aliados veem sua insistência como um problema, não como solução.

    Diante desse cenário, a pergunta que se impõe é direta: até que ponto Lula e Haddad estarão dispostos a bancar mais uma candidatura de Márcio França?

    Em um ambiente político que exige clareza, consistência e capacidade de agregar, insistir em um nome marcado por derrotas sucessivas e ambiguidades pode representar mais custo do que benefício. A metáfora é inevitável: engolir ou expelir esse sapo pode definir não apenas a composição da chapa, mas o rumo político de toda a disputa em São Paulo.a

  • Lula fez um discurso em que chamou a atenção da plateia para não colocar a raposa para tomar conta do galinheiro, pois ela vai comer até o galo

    Lula fez um discurso em que chamou a atenção da plateia para não colocar a raposa para tomar conta do galinheiro, pois ela vai comer até o galo

    Lula fez um discurso em que chamou a atenção da plateia para não colocar a raposa para tomar conta do galinheiro, pois ela vai comer até o galo

    Por

    Alberto Luchetti

    Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou, em discurso recente, sobre o risco de “colocar a raposa para cuidar do galinheiro”, recorreu a uma metáfora clássica para ilustrar decisões políticas desastrosas. O problema é que, na prática, ele próprio pode caminhar exatamente nessa direção.

    A eventual indicação de Márcio França para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, no lugar de Geraldo Alckmin, expõe uma contradição evidente entre discurso e ação. Trata-se de uma escolha que não apenas ignora sinais claros de desgaste político, como também desconsidera um histórico marcado por episódios controversos.

    Partido Socialista Brasileiro (PSB), legenda de França, possui baixa representatividade no Congresso Nacional — 16 deputados federais e cinco senadores — e atravessa um período de fragilidade política. Ainda assim, articulações tentam ampliar seu espaço no governo federal, mesmo sem lastro político proporcional.

    A trajetória recente de Márcio França ajuda a explicar por que essa possível promoção soa temerária. Desde 2018, o político acumula derrotas eleitorais sucessivas em São Paulo, acompanhadas de denúncias recorrentes de inadimplência em campanhas. 

    Charge ilustrativa  de Márcio França respondendoseus processos judicialmente

    Agências de marketing, produtoras e prestadores de serviço relatam atrasos e calotes, alguns já reconhecidos judicialmente. O padrão se repete: serviços prestados, pagamentos não realizados e justificativas baseadas na suposta falta de repasses do fundo partidário.

    O episódio envolvendo a campanha de Tabata Amaral em 2024 reforça esse histórico. Profissionais abandonaram o projeto diante de atrasos nos pagamentos, expondo desorganização financeira e falta de compromisso contratual. Não se trata de um caso isolado, mas de um comportamento recorrente, de Márcio França, na época, presidente estadual do PSB.

    Foto da reforma da cobertura de Márcio França na Ilha Porchat. A imprensa noticiou que na época ele não pagou a empresa responsável pela obra

    Na esfera pessoal, o quadro não melhora. Processos judiciais relacionados a reforma de alto padrão em sua cobertura na Baixada Santista, no edifício Ilha Porchat, que não teriam sido quitadas, ampliam o contraste entre discurso público e prática privada do socialista oportunista Márcio França. A imagem que emerge é a de um agente político que falha em honrar compromissos básicos.

    Esse conjunto de fatores ajuda a explicar não apenas as derrotas eleitorais de França, mas também o desgaste progressivo do PSB. O discurso perdeu força, enquanto a prática passou a cobrar seu preço — político, eleitoral e reputacional.

    O enfraquecimento ficou evidente dentro do próprio governo. França perdeu o Ministério de Portos e Aeroportos e foi deslocado para uma pasta de menor relevância, movimento interpretado como rebaixamento político. Em Brasília, o sinal foi claro: perda de prestígio e redução de influência.

    A fragilidade se expôs ainda mais no episódio envolvendo Anderson Pomini,indicado por França para a presidência do Porto de Santos. Com a perda de força do padrinho político, Pomini rapidamente se aproximou do deputado federal Marcos Pereira, do Republicanos, aliado do grupo ligado ao bispo Edir Macedo.A mudança de lealdade escancarou o esvaziamento de poder de França: quando a estrutura enfraquece, até aliados próximos abandonam o barco.

    PSB, por sua vez, segue perdendo espaço, ministérios e capacidade de barganha. O declínio de Márcio França tornou-se, em muitos aspectos, o retrato do declínio do próprio partido. Diante desse cenário, a possível promoção de França a um ministério estratégico levanta questionamentos inevitáveis. Não se trata apenas de uma escolha política, mas de um teste de coerência para o próprio presidente.

    Se avançar nessa direção, Lula corre o risco de ignorar o próprio alerta que fez. Afinal, na política, como no ditado, quando se coloca a raposa no galinheiro, o desfecho raramente é surpresa.

    Veja no link abaixo o trecho do discurso do presidente Lula alertando as pessoas a não colocar a Raposa dentro do Galinheiro:

    https://drive.google.com/file/d/15E6kJDlvvJ_fWpkUW2An9OxqqmbPCT1A/view?usp=drivesdk