Autor: Blog do Luchetti

  • Globo, Huck e Doria: como Vorcaro foi transformado no banqueiro do futuro e acabou na cadeia

    Globo, Huck e Doria: como Vorcaro foi transformado no banqueiro do futuro e acabou na cadeia

    Daniel Vorcaro cantado em verso e prosa como banqueiro de sucesso pelo Jornal Valor, do Grupo Globo, por empresários da Lide, de João Dória e por apresentadores da TV Globo, como Huck, virou um delinquente em poucos anos depois de cometer muitos delitos financeiros e está preso

    Por

    Alberto Luchetti

    A meteórica ascensão do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, não foi obra apenas do mercado financeiro. Ela também passou pelo poder de legitimação da mídia, do entretenimento e das redes de prestígio empresarial. Programas de televisão, eventos corporativos, campanhas publicitárias milionárias e premiações empresariais ajudaram a construir a imagem de um empreendedor inovador — personagem que, poucos anos depois, se transformaria no centro de um escândalo financeiro e acabaria preso.

    Nesse processo, nomes conhecidos do grande público e instituições de enorme influência tiveram papel decisivo. Entre eles estão o apresentador Luciano Huck, a TV Globo, o jornal Valor Econômico e o grupo empresarial Lide, fundado por João Agripino Dória Junior. Juntos, esses ambientes ajudaram a projetar Vorcaro como um dos novos protagonistas do sistema financeiro brasileiro.

    O caso mais visível dessa construção ocorreu na televisão aberta. O crescimento do Will Bank, banco digital controlado pelo grupo de Vorcaro, foi fortemente impulsionado por campanhas exibidas no horário nobre da TV Globo. O projeto mais emblemático foi a criação das chamadas “Willimpíadas”, quadro exibido no Domingão com Huck, que transformava o uso do aplicativo do banco em uma competição gamificada com prêmio de R$ 1 milhão.

    Huck chega a chamar o Will Bank, que ele demonstrou interesse em comprar, de Banco Digital do Domingão

    A iniciativa foi apresentada como uma grande ação de inovação financeira e entretenimento. Clientes acumulavam pontos a partir de transações realizadas no aplicativo — como pagamentos via PIX — e avançavam em etapas até chegar à final televisiva. Mais de 200 mil pessoas participaram da disputa, que mobilizou competidores em dezenas de cidades e estados.

    A final foi gravada em um grande estúdio, com dezenas de câmeras e transmissão nacional. O projeto foi desenvolvido em parceria entre o Will Bank, a TV Globo, a produtora Endemol Shine Brasil e a agência Monkey-Land. No centro de tudo estava Luciano Huck, apresentador do programa e embaixador da marca, responsável por dar rosto e credibilidade à fintech.

    Segundo relatos do mercado, o investimento publicitário ligado à campanha teria ultrapassado R$ 100 milhões. A estratégia funcionou. O banco digital ultrapassou rapidamente a marca de 12 milhões de clientes, impulsionado por campanhas de grande alcance, presença constante na televisão e associação com celebridades.

    Enquanto o público assistia à transformação do banco em fenômeno de marketing, nos bastidores avançavam negociações para a venda da fintech. Luciano Huck chegou a participar de tratativas para aquisição do Will Bank ao lado da gestora EB Capital, comandada por Eduardo Melzer. A negociação acabou abandonada após auditorias apontarem riscos financeiros elevados e passivos relevantes na instituição.

    Pouco tempo depois, o Banco Central decretaria a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A., responsável pelo Will Bank. A autoridade monetária apontou comprometimento da situação econômico-financeira, insolvência e ligação direta com o Banco Master, que já havia sido liquidado meses antes.

    Prejuízos financeiros poderão ser recuperador, além do Fundo Garantidor de Crédito, com ações contra a TV Globo e ao apresentador Luciano Huck?

    Os 12 milhões de clientes do Will Bank, que Huck chamou de Will Banco Digital do Domingão, foram afetados. Muitos sofreram prejuízos imediatos, incluindo o bloqueio de saldos em conta, impossibilidade de uso de cartões e relatos de novas dívidas indevidas registradas no Banco de Brasília, o BRB.

    Porém, se ficar, efetivamente, demonstrado que a emissora ou o apresentador participaram da campanha publicitária mediante contrato comercial e contribuíram para dar credibilidade ao produto ou serviço, eles podem ser incluídos em ações judiciais como responsáveis solidários, junto com a empresa anunciante. 

    Nessa hipótese, podem sofrer condenações ao pagamento de indenizações por danos materiais e morais, além de sanções administrativas aplicadas por órgãos como Procon, Secretaria Nacional do Consumidor e Ministério Público. Também é possível a abertura de ações coletivas, caso o prejuízo atinja grande número de consumidores, o que pode resultar em condenações de alto valor, obrigação de reparar danos e imposição de multas.

    Mas a trajetória de legitimação de Vorcaro, porém, não passou apenas pela televisão. Também envolveu o prestígio empresarial e a chancela de grandes veículos de imprensa como, por exemplo, o jornal Valor Econômico.

    No evento do jornal Valor Econômico, do Grupo Globo, Vorcaro agradece e diz ter muita admiração por Frederic Kachar, diretor da Editora Globo, Lauro (Jardim?) e Malu (Gaspar?)

    O portal Diário do Centro do Mundo (DCM) divulgou um vídeo criticando a participação do banqueiro em um evento promovido pelo Valor Econômico, jornal pertencente ao Grupo Globo. O encontro, realizado em Nova York, reuniu autoridades e empresários no chamado Summit Valor Econômico Brazil-USA. O Banco Master figurava como patrocinador do evento e Vorcaro apareceu como um dos principais participantes do seminário.

    Para críticos do episódio, a situação evidenciaria uma proximidade incômoda entre grandes grupos de mídia e setores do mercado financeiro. O banqueiro que patrocinava o evento era também tratado como um dos protagonistas do encontro, levantando questionamentos sobre a independência editorial e a relação entre cobertura jornalística e interesses econômicos.

    Ao mesmo tempo, Vorcaro recebia reconhecimento no circuito empresarial. Em 2024, ele foi homenageado pelo Lide – Grupo de Líderes Empresariais, organização fundada por João Agripino Doria Júnior. Na cerimônia do Prêmio Líderes do Brasil, o banqueiro foi apresentado como destaque na categoria empreendedorismo, sendo celebrado como símbolo de inovação no setor financeiro.

    Vorcaro foi exaltado por João Agripino Dória Júnior como empreendedor. O banqueiro, hoje presidiário, recebeu o prêmio por seu valor e importância no mercado financeiro

    Reportagens posteriores mostraram que o grupo chegou a retirar temporariamente do ar o vídeo da premiação após o avanço das investigações envolvendo o Banco Master, o que reforçou as críticas sobre a proximidade entre círculos empresariais e personagens que, pouco depois, seriam alvo de apurações policiais.

    No meio do faroeste que virou o caso Banco Master, Dória Júnior ligou para seu amigo Daniel Vorcaro e falou: “Estou preocupado com você. Tenho escutado coisas que vão precisar de reação sua. Sempre com equilíbrio e ponderação. Mas jamais com o silêncio”, enfatizou. Amigos como João Agripino Dória Júnior são para essas coisas. 

    Especialistas em comunicação e marketing apontam que a relação entre celebridades e marcas envolve uma troca direta de reputação. O professor Marcos Bedendo, especialista em branding da ESPM, explica que influenciadores e artistas emprestam prestígio e audiência às empresas, enquanto recebem em troca credibilidade e aura de grandeza.

    No caso do Will Bank, porém, a lógica acabou se invertendo. A marca desmoronou antes da imagem pública das celebridades associadas a ela. E isso levanta um debate sobre responsabilidade.

    Para Cilene Victor, professora da FGV Law e especialista em comunicação de risco, artistas e influenciadores também precisam avaliar os riscos ao se associar a empresas ainda pouco consolidadas. Segundo ela, quando uma celebridade empresta sua credibilidade a uma marca, acaba influenciando diretamente a decisão de milhares de consumidores.

    “Quem mais perde é o consumidor”, afirma. “Ele confia numa marca nova porque um artista, um atleta ou uma grande emissora emprestam sua credibilidade a essa instituição.”

    O caso de Daniel Vorcaro se tornou um exemplo emblemático desse mecanismo. Em poucos anos, o empresário circulou entre eventos internacionais, programas de televisão, campanhas milionárias e premiações empresariais. Foi tratado como símbolo de modernização do sistema financeiro e celebrado como um empreendedor promissor.

    Dois anos depois, a narrativa mudou radicalmente. O banqueiro que havia sido promovido como um dos nomes do “novo capitalismo brasileiro” passou a ser investigado por suspeitas de fraudes financeiras, manipulação de ativos e outras irregularidades envolvendo o Banco Master

    O mesmo personagem que aparecia em eventos glamorosos e campanhas televisivas terminou no centro de um escândalo financeiro de grandes proporções — e acabou preso. A história expõe um fenômeno recorrente no capitalismo contemporâneo: a fabricação acelerada de reputações. 

    Foi nesse ambiente de visibilidade, prestígio e negócios que Daniel Vorcaro se tornou, por um breve momento, o “banqueiro do futuro”. Um futuro que, no caso dele, terminou muito mais rápido do que começou e virou um pesadelo na cadeia.

    Veja no link Vorcaro sendo homenageado como um dos Líderes de 2024 por João Dória Júnor no LIDE:

    https://drive.google.com/file/d/1dt2urgjlUFwu9-qXu-yW0l56nJSVTPM3/view?usp=sharing

    Veja no link Vorcaro sendo homenageado pelo Jornal Valor Econômico, do Grupo Globo, em Nova York:

    https://drive.google.com/file/d/1JzWa5w7k3Q3DuRzB7N9acY6wpU7j7VlA/view?usp=sharing

    Veja no link Luciano Huck patrocinado pelo Will Bank falando que é o Banco Digital do Domingão:

    https://drive.google.com/file/d/1mEFECN5oNdDhfBX02gWo4xtf1NJNgp_9/view?usp=sharing

  • Quem o ICL realmente protege: o consumidor ou o oligopólio Shell, Ipiranga e BR?

    Quem o ICL realmente protege: o consumidor ou o oligopólio Shell, Ipiranga e BR?

    O ICL funciona como o um verdadeiro manto sagrado que protege o oligopólio da Shell, Ipiranga e BR enquanto o consumidor paga um dos combustíveis mais caros do mundo?

    Por

    Alberto Luchetti

    Essa é a pergunta que se impõe toda vez que a Petrobras anuncia redução no preço da gasolina nas refinarias e, dias depois, o consumidor percebe que nada mudou – ou pior, que os valores nas bombas seguem em alta. O fenômeno se repetiu em 2023, ganhou contornos políticos em 2025 e voltou a provocar indignação no início de 2026. 

    Apesar de a Petrobras ter reduzido em 16,4% o preço da gasolina vendida às distribuidoras, desde dezembro de 2022, o valor final cobrado dos motoristas aumentou consideravelmente. Com o aumento acumulado de R$ 1,35 por litro, o custo para abastecer um tanque de 50 litros subiu em R$ 67,50 nos últimos três anos.

    Em determinadas localidades, o preço é ainda mais elevado. Na semana passada, o valor máximo da gasolina no país chegou a R$ 9,29 por litro, registrado em postos de Barueri e Guarujá, em São Paulo, segundo vários veículos de comunicação do país.

    Não se trata de acaso, tampouco de falhas isoladas do mercado. O que emerge é um padrão sustentado por uma estrutura concentrada de poder econômico, blindada por uma entidade que se apresenta como defensora da legalidade: o Instituto Combustível Legal (ICL).

    O mercado brasileiro de combustíveis está longe de ser competitivo. Três grupos dominam aproximadamente 70% da distribuição nacional: a Vibra Energia, sucessora direta da BR Distribuidora; a Raízen, licenciada da marca Shell no Brasil e controlada pelo grupo de Rubens Ometto; e a Ipiranga, braço do Grupo Ultra

    Essa concentração reduz drasticamente qualquer possibilidade real de concorrência. O problema se agrava quando essas mesmas empresas financiam e comandam uma entidade que passou a ocupar espaço político, institucional e midiático – sempre sob o discurso do combate à ilegalidade, mas raramente questionando a própria conduta de suas mantenedoras.

    Criado e sustentado pelas grandes distribuidoras, o Instituto Combustível Legal(ICL) declara como missão enfrentar a sonegação, as fraudes fiscais e a adulteração de combustíveis. No plano retórico, a proposta é irrepreensível. Na prática, porém, o rigor do instituto parece ter alvo preferencial. Pequenos distribuidores, bandeiras brancas e operadores independentes tornam-se os principais alvos de denúncias e pressões, enquanto as gigantes que o financiam permanecem praticamente imunes a questionamentos públicos – mesmo quando seus postos são autuados por irregularidades.

    O paradoxo salta aos olhos. As distribuidoras que dizem combater a ilegalidade são as mesmas cujos postos já foram flagrados vendendo combustível fora das especificações técnicas. 

    São também as mesmas que, de forma recorrente e quase sincronizada, deixam de repassar ao consumidor final as reduções de preço anunciadas pela Petrobras. Quando o valor sobe na refinaria, o aumento é imediato nas bombas. Quando cai, a redução se perde entre a distribuição e o varejo – transformando-se, não raro, em margem adicional de lucro.

    Esse descompasso tornou-se tão evidente que forçou a entrada direta do Estado no debate. Em julho de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou publicamente postos que não repassavam as quedas de preços, classificando a prática como inaceitável e cobrando ação dos órgãos de fiscalização. A reação não ficou no discurso. A Advocacia-Geral da União (AGU) apontou indícios de irregularidades e provocou investigações formais.

    Polícia Federal e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE)passaram a analisar possíveis práticas coordenadas, fraudes e até formação de cartel. Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) reforçaram a suspeita: a redução nos preços das refinarias não se refletia e não se reflete agora de maneira proporcional no valor cobrado ao consumidor final, indicando retenção deliberada de margens ao longo da cadeia de distribuição e revenda.

    É nesse contexto que o papel do Instituto Combustível Legal (ICL) se torna ainda mais controverso. Em vez de cobrar transparência e coerência das distribuidoras que o sustentam, o ICL atua como aliado discursivo dessas empresas, ajudando a deslocar o foco do debate público. A narrativa do “mercado irregular” passa a ocupar o centro da cena, enquanto a concentração econômica e a formação de preços permanecem convenientemente fora do alcance das críticas – quase como se fossem meros detalhes técnicos, e não o coração do problema.

    Relatórios e denúncias já indicaram, inclusive, que recursos das associadas do ICL teriam sido utilizados em ações agressivas e pouco ortodoxas contra concorrentes menores, levantando questionamentos no âmbito de órgãos de controle. Ainda assim, o instituto preserva a imagem de entidade técnica, ao mesmo tempo em que silencia diante da prática mais lesiva ao consumidor: a não redução dos preços quando há corte anunciado na origem.

    Juntas, essas 3 empresas não apenas dominam o mercado – moldam suas regras

    Raízen/Shell controla uma cadeia verticalizada que vai do etanol à bomba, ampliando seu poder de influência sobre preços. 

    Ipiranga, integrada ao Grupo Ultra, reúne distribuição, armazenagem, transporte e varejo, reduzindo ainda mais o espaço para competição. 

    Vibra Energia, privatizada em 2019 e rebatizada em 2021, manteve cerca de 30% do mercado nacional, preservando capilaridade logística, força de marca e o legado da antiga BR/Petrobras

    A crise dos combustíveis no Brasil não se explica apenas por fatores internacionais, variação cambial ou carga tributária. Ela é consequência direta de uma estrutura concentrada, protegida por discursos seletivos e por entidades que confundem interesse público com interesse corporativo.

    Enquanto Governo FederalPolícia Federal, CADEICL, AGU e ANP tentam enfrentar essa distorção, o consumidor segue pagando a conta de um mercado que se diz livre, mas age como oligopólio. Sob o manto da “legalidade”, a gasolina continua cara – mesmo quando deveria ficar mais barata.

    Diante desse cenário, a pergunta que abre este texto deixa de ser retórica. O Instituto Combustível Legal (ICL) combate a ilegalidade ou funciona como um cartel institucionalizado de interesses privados? Qual a ligação do ICL com a Secretaria da fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) que deve fiscalizar o setor?

    Ainda que não seja uma empresa, o ICL opera como um escudo coletivo das maiores distribuidoras do país, conferindo verniz técnico e moral a práticas que resultam, na ponta, em preços artificialmente elevados e prejuízo direto ao consumidor.

    Com a palavra o Ministério Público e a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo

    Diante das graves denúncias publicadas desde o início de agosto de 2025 pelo jornalista Leandro Mazzili, na Coluna Esplanada, de Brasília, sobre o suposto compartilhamento de informações fiscais sigilosas da Sefaz-SP com dirigentes do Instituto Combustível Legal (ICL), e do pedido formal de esclarecimentos encaminhado pelo Blog do Luchetti à Ouvidoria da Secretaria da Fazenda, é imprescindível que o Ministério Público e a Sefaz-SP se manifestem. 

    Houve instauração de sindicância, procedimento administrativo ou investigação criminal para apurar o possível vazamento de dados protegidos por sigilo fiscal? 

    Em caso afirmativo, quais autoridades conduzem a apuração e em que estágio ela se encontra? 

    Que informações fiscais teriam sido repassadas de forma antecipada e informal a representantes do ICL

    Esses dados guardam relação com alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada apenas 21 dias após as publicações do suposto vazamento de informações sigilosas? 

    Considerando que oito investigados não foram localizados no dia da operação, as autoridades descartam a hipótese de vazamento prévio? 

    Quantas vezes os diretores do ICL se reuniram com a cúpula da Sefaz-SP, secretário Samuel Kinoshita e subsecretário Marcelo Bergamasco, na sede da secretaria?

    Em tempo: O MP e a Sefaz-SP investigaram a operação financeira de cerca de R$ 2 milhões que o ICL pagou para empresa BK Consultoria, do ex-secretário da Sefaz-SP, Luiz Cláudio Rodrigues de Carvalho, que durante muitos anos foi também chefe da fiscalização de combustíveis no Estado de são Paulo?

  • Denúncias de corrupção contra Pomini, no Porto de Santos, feitas pelo senador Giordano, seguem sem resposta

    Denúncias de corrupção contra Pomini, no Porto de Santos, feitas pelo senador Giordano, seguem sem resposta

    Governo Federal, Senado, CGU e Ministério de Portos seguem sem esclarecer as denúncias de corrupção envolvendo Anderson Pomini no Porto de Santos.

    Por Alberto Luchetti

    Dois anos se passaram desde que o senador Alexandre Giordano, do MDB de São Paulo apresentou uma série de denúncias graves contra o presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini, incluindo a acusação de pagamento de cerca de US$ 1 milhão (mais de R$ 5 milhões) para que ele permanecesse no cargo, e, até agora, o país segue sem respostas convincentes.

    As acusações — que envolvem ainda favorecimento empresarial, manipulação de contratos, criação de normas sob medida e uso de intermediários para cobrança ilegal — não dizem respeito a um cargo secundário, mas ao comando do principal porto do Hemisfério Sul, o Porto de Santos.

    A Controladoria-Geral da União (CGU) segue apurando os fatos, segundo informou o Ministério de Portos e Aeroportos, hoje comandado por Silvio Costa Filho, do Republicanos, que manteve Pomini no cargo mesmo após receber formalmente as denúncias em fevereiro deste ano.

    Pomini, vale lembrar, foi indicado originalmente por Márcio França, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), de quem é amigo e sócio em escritório de advocacia — uma relação que, por si só, já exigiria escrutínio rigoroso.

    O silêncio político é ensurdecedor e constrangedor. O presidente do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, representante do bispo Edir Macedo no Congresso Nacional, jamais explicou por que um indicado do PSB segue ocupando um cargo que, em tese, caberia ao seu partido. Tampouco o governo federal esclareceu por que denúncias que envolvem cifras milionárias e contratos estratégicos não resultaram, até agora, em afastamento preventivo ou responsabilização pública.

    O que está em jogo não é apenas a reputação de um gestor, mas a credibilidade das instituições. Num requerimento do Senado Federal, no dia 7 de fevereiro de 2024, o senador Giordano enumera 8 graves acusações de corrupção, favorecimento empresarial e recebimento de propina entre outras denuncias. Veja a integra do requerimento original, no final do texto.

    Se essas acusações do senador Alexandre Giordano forem verdadeiras, Anderson Pomini e todos os envolvidos devem ser exemplarmente punidos, com rigor administrativo e penal. Se forem falsas, o Senado Federal tem o dever de agir com a mesma firmeza e responsabilizar o senador Giordano na Comissão de Ética por denúncias levianas. O que não é mais aceitável é a inércia. Diante de acusações tão graves, alguma coisa precisa ser feita — e precisa ser feita agora.

    Essa é a integra do requerimento com as denúncias do senador Alexandre Giordano no endereço oficial do Senado Federal abaixo:

    https://legis.senado.leg.br/sdleg-getter/documento?dm=9544554&ts=1707398764733&disposition=inline&_gl=1*1uzywvs*_ga*MTY4OTI1NTg4MC4xNzA3NDA0Nzcx*_ga_CW3ZH25XMK*MTcwNzQwNDc3MC4xLjEuMTcwNzQwNDkzNS4wLjAuMA

  • Márcio França: bravatas, carteiradas e o fracasso sem legado do Voa Brasil

    Márcio França: bravatas, carteiradas e o fracasso sem legado do Voa Brasil

    O bufão Márcio França é um boneco inflável, assim como suas ideias que inflam e murcham, como seu próprio corpo. Márcio França vive colecionando gerúndios: inflando e murchando (charge de IA)

    Por

    Alberto Luchetti

    A bravata do Microministro Márcio França do Partido Socialista Brasileiro (PSB)tem nome e sobrenome: Voa Brasil. Anunciado com estardalhaço pelo socialista oportunista, o programa nasceu morto e terminou como tudo o que passou por suas mãos no curto e ruidoso período em que ocupou o Ministério de Portos e Aeroportos.

    Tudo o que é de Márcio França vem recheado de muita falação, pose de política social e nenhum resultado concreto. O fracasso era previsível desde a concepção, como registrou o Estado de S. Paulo em editorial recente, ao apontar o viés populista e a absoluta falta de lastro técnico da iniciativa.

    França prometeu “democratizar” o transporte aéreo sem apresentar números básicos. Não explicou custos, não indicou fontes de financiamento, não apresentou estudos de demanda nem deixou claros os benefícios reais para usuários e empresas. 

    O socialista oportunista limitou-se a repetir o bordão de que não haveria subsídios e que tudo se resolveria com o uso de assentos ociosos na baixa temporada. Era retórica vazia, no mais puro estilo do seu palanque eleitoreiro: “anunciar primeiro, pensar depois — se sobrar tempo”.

    O resultado foi um vexame anunciado. Após 17 meses, o Voa Brasil vendeu míseros 52 mil bilhetes, apenas 1,7% da meta de 3 milhões alardeada para o primeiro ano. Isso num cenário em que, segundo levantamento citado pelo Estadão, cerca de 30 milhões de assentos ficaram ociosos no período analisado. Sobrou cadeira, faltou programa. Ou melhor: sobrou propaganda, faltou seriedade de Márcio França.

    A encenação foi tão grotesca que provocou a primeira bronca pública de Lula em sua equipe ministerial. Em reunião, o presidente avisou que qualquer “genialidade” deveria passar antes pela Casa Civil. Traduzindo: nem Lula acreditou na fanfarrice do socialista oportunista Márcio França com o programa Voa Brasil. Ainda assim, França insistiu, empurrou o projeto, negociou com companhias aéreas e entregou um simulacro de política pública que acabou restrito a um público mínimo e irrelevante do ponto de vista estrutural.

    Nada disso surpreende. A trajetória recente de Márcio França no governo federal é um inventário de improvisos. Ficou poucos meses em Portos e Aeroportos, saiu sem deixar obra, política ou legado, a não ser arrumar emprego público para Anderson Pomini, seu sócio num escritório de advocacia, como presidente do Porto de Santos.

     Foi criticado, esvaziado e, ao fim, defenestrado. Passou um tempo encostado num puxadinho político cedido por Geraldo Alckmin e acabou acomodado num ministério que não existia — e que, na prática, continua inexistindo. Márcio França foi assentado no recém-criado Ministério da Microempresa e virou piada em Brasília que lhe rendeu o apelido cruel, porém preciso, de Microministro.

    Voa Brasil do socialista oportunista Márcio Françaentra para o anedotário das políticas públicas mal pensadas, ao lado de tantas outras promessas que rendem manchetes e alimentam o marketing político, mas não resistem ao primeiro contato com a realidade. Ao Márcio França, no entanto, resta o papel que parece ter abraçado com entusiasmo: o de animador de plateia de um espetáculo que nunca saiu do chão.

    Quero ser candidato, pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), a Governador de São Paulo em 2026

     Como se não bastasse o histórico de improvisos administrativos, França ainda ostenta uma petulância política que beira o deboche. Em entrevista recente à Folha de S.Paulo, declarou que pretende ser candidato, este ano, ao governo de São Paulo pelo PSB e, no mesmo movimento, disse ter convidado a ministra do Planejamento, Simone Tebet, a ingressar no partido — deixando claro, desde logo, que a vaga majoritária já teria dono. 

    O gesto é revelador: chama uma aliada de peso, mas avisa que o palanque é seu. Trata-se de mais uma carteirada — e das mais explícitas — dirigida ao presidente Lula, a quem Márcio França recorre sempre que lhe convém, mas a quem também testa sistematicamente os limites da paciência política.

    Não é novidade. O socialista oportunista Márcio França cultiva o hábito de ser candidato a qualquer coisa, em qualquer eleição, para depois negociar a própria desistência em troca de um cargo qualquer no governo. Foi assim em outras ocasiões e voltou a sê-lo agora. 

    O discurso de que a decisão final caberá a Lula soa menos como deferência e mais como chantagem simbólica: França se lança, cria constrangimento e, se não emplacar, cobra a fatura em forma de ministério — ainda que seja um ministério fantasma, sem orçamento, sem atribuições claras e sem relevância institucional.

    O atual cargo, à frente de uma pasta que mal existe, é o retrato acabado dessa lógica. O “Microministro Márcio França segue em campanha permanente, ainda que seus projetos, como o Voa Brasil, nunca consigam sequer decolar.